Chuva no ES: especialista explica fenômeno que provocou caos no Sul

Município recebeu a água acumulada em Vargem Alta como se fosse a queda de uma cachoeira, de acordo com o Incaper

(A GAZETA) – Depois das fortes imagens de destruição no Sul do Espírito Santo, principalmente no município de Iconha, as pessoas tentam entender por que a cidade sofreu tanto com as chuvas da última sexta-feira (17). Qual a explicação? Há um motivo além da quantidade de água precipitada? Quem traz essas respostas é o meteorologista Hugo Ramos, do Incaper (Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural).

A FORMAÇÃO DAS CHUVAS

“Basicamente, a gente estava sob a passagem de uma frente fria em direção ao oceano, com grande formação de nuvens. Já na costa do Espírito Santo, um sistema meteorológico se formou e causou a mudança repentina na direção do vento. Consequentemente, toda a umidade foi levada para o litoral Sul do Estado”, explicou.

“Como o relevo neste trecho entre Guarapari e Presidente Kennedy é bastante acidentado, a umidade ficou retida nessas encostas. A soma do grande volume de umidade e do forte calor favoreceu o desenvolvimento de nuvens de grande tempestade”, completou.

A INFLUÊNCIA DAS BACIAS HIDROGRÁFICAS

Combinado à formação de chuvas, também há as características das bacias hidrográficas dos rios da região, propiciando que a situação fosse mais grave em Iconha. “O rio homônimo, que corta a cidade, tem a nascente em Vargem Alta, que registrou aproximadamente 230 milímetros de chuva em um período de 24 horas”, lembro.

“Como o Rio Iconha é mais estreito e a água vinda da
cabeceira foi ganhando velocidade ao longo do curso por
causa da inclinação da encosta, ela chegou à sede do
município gerando um transbordamento muito grande.
Como se fosse uma cabeça d’água de uma cachoeira”

Hugo Ramos
Meteorologista do Incaper

A situação é diferente, por exemplo, da encontrada no município vizinho de Alfredo Chaves. “Apesar da chuva na cabeceira do Rio Benevente e outra bastante expressiva no município em si, a geografia da bacia administrou de forma diferente a chuva, que chegou a 180 milímetros em apenas cinco horas – o que é mais que o esperado para o mês inteiro”, afirmou.

Vale ressaltar que como os dois pluviômetros de Iconha são manuais, o instituto ainda não conseguiu descobrir o nível de chuva que atingiu a sede do município de Iconha. No entanto, o meteorologista Hugo Ramos revelou que relatos dão conta de que a chuva não teria sido tão expressiva.

EVENTO ISOLADO OU PODE ACONTECER DE NOVO?

Apesar de ser considerado completamente atípico por especialistas do Incaper, eles também  dizem que, do ponto de vista meteorológico, o fenômeno pode sim se repetir na Região. “Embora com menos força e com menor prejuízo, nós já tivemos eventos semelhantes em vários locais do Estado e é possível que aconteça de novo, sim”, concluiu.

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