Ciganos capixabas compartilham cultura e dificuldades em evento na Biblioteca Pública

16:31 h

Em alusão ao Dia Nacional do Cigano, comemorado em 24 de maio, o 4º Encontro do Ciclo Formativo em Direitos Humanos da Secretaria de Estado de Direitos Humanos (Sedh) teve como tema os ciganos capixabas. O evento, promovido pela Gerência Estadual de Igualdade Racial, aconteceu nesta quarta-feira (29), na Biblioteca Pública Estadual, na Enseada do Suá.

Em formato de roda de conversa, o evento recebeu o gerente de Igualdade Racial da Prefeitura Municipal de Cariacica, Sandro Cabral, as lideranças ciganas Marcelle Carvalho e Márcia Carvalho, além de Marcelo Carvalho, uma criança cigana que também compartilhou a sua experiência de vida.

Na abertura do evento, Sandro Cabral falou da importância da aproximação do poder público com as comunidades ciganas. “Cabe ao poder público interagir, ouvir e vivenciar os povos ciganos para compreender suas necessidades e criar políticas públicas eficientes”, destacou Sandro.

Uma das convidadas, Márcia Carvalho, estudante de Ciências Sociais, agradeceu a oportunidade. “Normalmente não temos esta abertura quando se fala em povos tradicionais. Então este é um espaço importante, até mesmo para quebrarmos alguns tabus e preconceitos que existem com a gente”, destacou.

A cigana Marcelle Carvalho também reafirmou a importância da iniciativa. “Para a gente é muito importante participar desses espaços, porque até hoje nosso povo é muito julgado. Ser cigano não é só vestir aquele vestido, vai muito além disso. Muitas pessoas olham para a gente e pedem para lermos a mão, mas não é bem assim. Todos nós temos talentos, sendo ciganos ou não”, ressaltou.

Marcelo Carvalho, de 11 anos, contou que já sofreu muito bullying na escola por ser cigano. “Uma vez uma menina não quis participar de uma apresentação de dança comigo porque falou que eu era cigano e macumbeiro. Sempre sofri por causa da minha religião, da minha etnia e da minha cultura, e por isso nunca tive muitos amigos. Às vezes me sinto um alienígena por não me encaixar no padrão, mas também tenho muito orgulho de ser cigano, principalmente quando leio um livro de história e me vejo representado”, disse.

Segundo a gerente de Igualdade Racial da Sedh, Neiriele Marques, a roda de conversa foi muito importante “por propiciar ao serviço público a escuta da realidade das comunidades ciganas do Espírito Santo e dar visibilidade a tal grupo”.

Até o dia 24 de junho, a Biblioteca Pública Estadual sedia a exposição “Ciganos Capixabas no I Encontro Estadual de Povos e Comunidades Tradicionais”, relançada pela Sedh em homenagem ao Dia Nacional do Cigano.

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