Palácio da Cultura Sônia Cabral no ES recebe espetáculo infantil internacional ‘A noite iluminada’

19:36 h

Quem nunca foi criança e teve medo do escuro? O espetáculo infantil “A noite iluminada”, da Cia. Junco, usa a dança e a música para narrar a história de um menino (Esteban bisio) que enfrenta seu medo com a ajuda de Negra (Lucía Reizner), uma menina fantástica. Ao final, a dupla convida as crianças da plateia para participarem de várias brincadeiras no palco. As apresentações ocorrem de 13 a 15 de junho, sempre às 19h, no Palácio da Cultura Sônia Cabral, no Centro de Vitória.

Os produtores e também intérpretes da peça são o casal argentino Lucia Rezner e Esteban Bisio. Enquanto uma é dançarina, o outro é músico. Para criar o espetáculo, eles misturaram suas especialidades e vivências para desenvolver uma narrativa que divirta as crianças, mas ao mesmo tempo desenvolva seu olhar poético e pensamento crítico.

O espetáculo foi aprovado via Instrução Normativa 001/2019 da Secretaria de Estado da Cultura (Secult). “A gente acha incrível que aqui tenha muitas oportunidades profissionais, por exemplo, a possibilidade dos editais, que ajuda muito as produções. Quem está começando no Espírito Santo já tem verba para fazer o espetáculo, produção, equipe. E isso é muito bom, porque você aprende fazendo de um jeito muito profissional. Fazer uma apresentação em um espaço como o Sônia Cabral é maravilhoso” aponta Esteban.

De acordo com a dupla, a peça é uma obra intimista e poética. “Há muitas cenas que é apenas Lucia dançando com uma música instrumental, bem contemplativo. Mas como o espetáculo fala do medo, a gente também tem cenas assustadoras, e as crianças ficam bem empolgadas, por que se identificam com esse menino e seu medo” reflete Esteban.

Na segunda parte do espetáculo, as crianças são convidadas ao palco. Quando começaram a fazer essas atividades, Lucia e Esteban se preocupavam que as crianças ficassem tímidas. A realidade foi bem diferente. “Quando as crianças sobem no palco, elas o tomam. Sentem-se como os protagonistas da peça. É isso que queremos: deixar as crianças se sentirem artistas” conta Lucia.

Como cada montagem traz uma conexão diferente com as crianças, Lucia e Esteban consideram todas as apresentações especiais. Contudo, algumas marcaram mais que outras, como em uma escola capixaba, onde havia uma criança com autismo que, no meio da peça, começou a interagir com eles e imitar o Esteban. “Ele virou um terceiro ator. Tudo foi muito natural. Tem uma parte onde a gente fica olhando as estrelas e ele ficou conosco olhando as estrelas”, relembra.

As escolas públicas estaduais e municipais que tiverem interesse de levar seus alunos podem entrar em contato via telefone (27) 3132-8399 ou pelo e-mail palaciodaculturasoniacabral@gmail.com.

Um casal, uma peça e uma linguagem difícil

Lúcia Rezner nunca gostou muito de se movimentar, sempre preferiu ficar sentada e ler. Quando tinha 18 anos, no último ano de escola, a mãe disse que deveria fazer algum tipo de exercício. Foi seu início como artista circense.

Na Argentina se formou como professora de expressão corporal no Centro de Educação Corporal ISEA. Em 2016, ganhou uma bolsa para cursar coreografia e dança na Amsterdam University of Arts (SNDO).  Hoje Lucia é aluna de dança da Escola de Teatro, Dança e Música (Fafi). A coreografia de “A noite iluminada” reflete suas vivências, com danças acrobáticas e expressivas. Além disso também tem referências mais sombrias, oriundas da arte pós-segunda guerra mundial. Outra de suas inspirações são as belezas da noite.

Já a paixão de Esteban por música começou cedo. Quando criança, os pais iam discutir política na casa dos amigos. O filho de um deles nunca estava em casa e tinha vários instrumentos. Esteban se esgueirava no quarto e passava a noite brincando. “Logo depois eu encontrei um violão esquecido em casa. Era do meu pai, mas ele nunca aprendeu a tocar. Então eu comecei”, relembra o músico.

Mais tarde, Esteban se formou como professor de música no Conservatório de Música Manuel de Falla. “A minha cabeça sempre foi bem embaralhada. No meio do curso clássico, eu formei uma banda de punk rock. Minha professora falava para eu não tocar esse tipo de música. Na mesma época, na Universidade de Buenos Aires, eu comecei a estudar design de som e imagem. São todas essas experiências que eu trago para “A noite iluminada”.

O casal se conheceu por meio de amigos em comum, na Argentina. Juntos, formaram a Cia. Junco. “O junco é uma grama fina que cresce no mangue, na costa, no rio e não tem valor. Vemos no Junco algo simples e muito belo. Ao mesmo tempo que tem essa firmeza, com as raízes fincadas na terra, ele dança com o vento, é flexível. Tudo isso nos inspirou muito” reflete Esteban.

O espetáculo é baseado em um livro de contos que a Lucia leu na infância, “A menina que Iluminou a Noite”. Ela mencionou para Esteban e ele transformou o livro em três músicas. “Eu li esse conto quando eu era pequena. Ele até foi proibido na ditadura argentina, em 1976, por que fala de perder o medo, enfrentar a escuridão. É um conto muito lindo. A gente planejou viajar e queríamos fazer uma peça para fazer na rua. Aí eu me propus a fazer uma versão livre” relembra.

No início, o casal tinha a intenção de apresentar durante um “mochilão” de seis meses que saiu da Argentina, passou pela Colômbia e chegou no Brasil. A ideia não deu muito certo. Depois de apresentarem duas vezes nas ruas da Argentina, acabou no fundo da bagagem por nove meses. “Viajamos com as mochilas e a peça. A peça estava ali, acompanhou a gente no trajeto, mas não apresentamos. Quando chegamos no Brasil, ainda não havíamos feito a tradução e o português é muito difícil. Falávamos português muito mal”, confessa.

A montagem só voltou a acontecer em terras tupiniquins quando vieram morar em Vitória. Uma amiga ajudou com a tradução e o treinamento na fala. “Nós fizemos duas apresentações em uma escola na Serra para ver como era a resposta das crianças. Todas ficaram muito empolgadas. Eles adoraram nosso sotaque”, ri Lucia.

Oficina

No sábado (15), às 15h, a Cia. Junco organiza a oficina “A música e a dança como ferramentas de narração”, no Palácio da Cultura Sônia Cabral. O objetivo é desenvolver a música e a dança como ferramentas para construir narrativas, sem usar a palavra e seu significado.

“A oficina é para qualquer pessoa que tenha vontade de aprender ferramentas para desenvolver em cena: músicos, atores, palhaços, dançarinos e educadores, como um professor de ensino fundamental que goste de cantar nas aulas, por exemplo”, convidam.

A proposta foi desenvolvida a partir da montagem da peça “A noite iluminada”. Ingressos da oficina na bilheteria do teatro: R$ 20,00.

 Serviço:

Local: Palácio da Cultura Sônia Cabral, Praça João Clímaco, s/n – Centro, Vitória. Telefone: 3132.8396

“A noite iluminada”

Datas e horários:

Dias 13, 14 e 15 de Junho: 19h

Classificação etária: Livre

Ingresso: 30 (inteira) | 15 (meia)

“A noite Iluminada” – fechado para escolas

Dia 13: 14h

Dia 14:  9h

Classificação etária: Livre

Ingresso: Entrada Franca. As escolas públicas estaduais e municipais que tiverem interesse de levar seus alunos podem entrar em contato via telefone (27) 3132-8399 ou pelo e-mailpalaciodaculturasoniacabral@gmail.com.

Oficina “A música e a dança como ferramentas de narração”:

Dia 15: 15h

Ingresso: R$ 20

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