Retorno do aquaviário à baía de Vitória ES é estudado

09:01 h

A Comissão de Infraestrutura (Coinfra) realizou, nesta segunda-feira (25), uma visita técnica à baía de Vitória para estudar a possibilidade de reimplantação do sistema aquaviário na região metropolitana. Com o apoio da Marinha do Brasil, deputados estaduais, representantes do governo e de empresa fabricante de embarcações exploraram alguns pontos da baía para estudarem a profundidade, a maré, o vento e outros aspectos que podem influenciar na escolha do modelo a ser adotado aqui.

Após a visita, os participantes da expedição se reuniram na Assembleia Legislativa (Ales) para debater sobre a viabilidade de retorno do sistema. A fabricante da embarcação que opera em Angra dos Reis, no litoral sul do Rio de Janeiro, informou que o seu produto se adequa perfeitamente à realidade capixaba. Ricardo Ferreira Soares, da fabricante Fibra Rio, afirmou que é possível fazer a travessia entre Vitória e Vila Velha em três minutos.

Soares explicou que a embarcação da empresa tem capacidade para 50 passageiros e dois tripulantes, é fabricada em fibra de vidro e é segura, sendo insubmergível, ou seja, se houver algum acidente, ela não afunda e os passageiros podem aguardar o resgate. Ainda segundo o representante da empresa, em seis anos de operação em Angra, nunca houve nenhum tipo de problema. “O mar aqui é mais calmo e o trecho lá em Angra é muito maior”, ressaltou.

Quem também participou dos trabalhos da Conifra foi o secretário de Estado de Transportes e Obras Públicas, Fábio Damasceno. O gestor sinalizou que o governo tem total interesse em retomar o transporte aquaviário. A secretaria está reformulando estudo sobre a reimplantação do sistema, analisando itens como acessibilidade para as pessoas com deficiência e integração com outros modais, como bicicleta, ônibus e automóvel, além da possibilidade de integração tarifária, com a instituição de bilhete único de transporte público.

Ele lembrou que na outra gestão Renato Casagrande (PSB) entre 2011 e 2014 o tema avançou, com a realização de várias audiências públicas e o lançamento de licitação para a implantação do sistema, mas o edital foi paralisado pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE-ES).

Repercussão entre os deputados

Os membros do colegiado comemoraram a notícia de um possível retorno do aquaviário. O presidente do colegiado, deputado Marcelo Santos (PDT), disse que é necessário um “modelo que não seja dispendioso e que as pessoas possam trafegar com segurança”. Ele também ressaltou o viés ecológico do sistema, com a redução da emissão de poluentes lançados na atmosfera pelos ônibus, motocicletas e automóveis.

O pedetista ainda disse que a ideia é um sistema que possa atender aos antigos pontos em que o sistema funcionava – Porto de Santana (Cariacica), Rodoviária de Vitória, Paul (Vila Velha), centro de Vitória, Terminal Dom Bosco (Vitória) e Prainha (Vila Velha) – e, mais para frente, possa ser ampliado para outros pontos da capital, como Santo Antônio, Ilha das Caieiras, Hidroavião, Praça do Papa, Shopping Vitória e Píer de Iemanjá.

O parlamentar relembrou ainda que a comissão já recebeu outra empresa do Estado do Rio e também do sul do País interessadas em operar o sistema aquaviário na Grande Vitória.

O deputado Dary Pagung (sem partido) sugeriu que Jardim Camburi, bairro mais populoso da região metropolitana, também fosse incluído nos estudos. Já Alexandre Xambinho (Rede) também sugeriu a futura ampliação para o município de Serra. Já o Pastor Marcos Mansur (PSDB) sugeriu a utilização da embarcação também para fins turísticos.

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